Progresso do Vale do Rift expõe rachaduras visíveis na Etiópia e indica transformação geológica de longo prazo
No sul da Etiópia, à margem de uma estrada coberta de poeira, um jovem pastor observa o solo com suspicácia. Onde antes suas cabras cruzavam sem obstáculos, a terreno agora está cortada por uma greta irregular que se estende pelo horizonte. Turistas estacionam, registram imagens com celulares, riem por instantes e logo se calam. O cheiro de súlfur se espalha no ar, enquanto o solo estala sob os pés, lembrando cerâmica quebrada. As informações são do Damascusbite.
Poucos metros adiante, cientistas se reúnem ajoelhados, cercados por cabos, cadernos e equipamentos de mensuração. Em um tablet, imagens de satélite revelam uma cicatriz clara que cresce ano em seguida ano no leste africano. Não há explosões nem espetáculos visuais. O que se vê é um continente que, de forma lenta e estável, se alonga e começa a se dividir.
— “O solo está se abrindo”, diz o pastor em voz baixa. Apesar do tom sereno, seus olhos voltam repetidamente à rachadura, porquê se ela pudesse seguir a qualquer momento. Para os pesquisadores, aquele cenário seco pode, em um horizonte distante, se transformar em uma praia.
Traço de frente de um processo geológico vasqueiro
Na região de Afar, considerada uma das áreas geologicamente mais ativas do planeta, o fenômeno se mostra com nitidez. O solo é marcado por fissuras profundas e escuras, e a rocha vulcânica negra aparenta ter se solidificado recentemente. Mais do que uma paisagem incomum, o lugar é visto porquê a risca de frente de uma transformação que ocorre em ritmo quase imperceptível, mas contínuo.
Ali se estende o chamado Vale do Rift Africano, uma imensa zona de fraturas onde a crosta terrestre está sendo submetida a forças de distensão. Ao longo de milhões de anos, esse movimento pode separar a África em duas grandes massas de terreno, abrindo caminho para que águas oceânicas ocupem o espaço criado. Embora o progressão seja de somente alguns milímetros por ano, o potencial de redesenhar continentes inteiros é real.
Transformação silenciosa sob cidades e estradas
O vista mais inquietante desse processo é que ele ocorre sob vilarejos, plantações e rodovias. Enquanto vídeos curtos viralizam nas redes sociais, o solo aquém de países inteiros passa por uma reorganização profunda e silenciosa.
O fenômeno chamou atenção internacional em 2005, quando uma greta gigantesca se abriu repentinamente no deserto de Afar, no setentrião da Etiópia. Em poucos dias, formou-se um abisso com até 60 quilômetros de extensão, alcançando, em alguns trechos, a largura de uma rodovia com várias pistas. Uma região considerada firme revelou-se vulnerável.
Registro vasqueiro de um processo típico dos oceanos
Imagens de satélite captaram o incidente porquê se fosse uma cirurgia acelerada do planeta. A crosta terrestre se abriu, afundou e começou a se deter. Magma ascendeu do interno da Terreno, preencheu o espaço vazio e se solidificou, dando origem a uma novidade categoria de crosta. Trata-se de um processo geral nos fundos oceânicos, mas raramente observado em terreno firme.
Desde portanto, novas fissuras menores surgiram em áreas da Etiópia, do Quênia e de países vizinhos. Estradas foram danificadas de forma repentina, sistemas de regadura se romperam e comunidades passaram a conviver com a incerteza.
Para quem vive nessas regiões, a questão vai além da curiosidade científica. É o duelo quotidiano de habitar um território que, lentamente e sem vaidade, está se partindo ao meio.
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