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Entre as pichações, uma frase: “Viva a Revolução”.
Mas há um pormenor.
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Segundo a Polícia Militar, houve quebra de portas e grades na estação Consolação, além de atritos com funcionários. A Secretaria da Segurança Pública registrou ocorrências de tumulto, pichações e depredação em diferentes pontos da região. Houve ainda denúncias de agressão contra duas mulheres. As duas estações foram fechadas. A Trianon-Masp, que fica em frente ao prédio da Justiça Federalista, só reabriu às 16h30.
Agora compare.
Há anos, o 8 de janeiro é tratado uma vez que atentado contra a democracia. É a chave moral de boa segmento do debate público brasílico: patrimônio danificado, paredes e símbolos atingidos, tudo lido uma vez que prenúncio à ordem institucional. Quem discorda é convidado a se embatucar.
Pois muito. Se danificar patrimônio público e ortografar palavras de ordem em paredes é atentado quando o ato é de um lado, o que é quando é do outro? “Viva a Revolução” é só um grafite? Uma portas quebrada vale menos conforme o crachá político de quem a quebrou?
A pergunta que ninguém faz é simples: qual é o critério?
Ou a lei e a indignação valem para todos, ou valem para quem convém. Não existe meio-termo confortável. Se o dano ao patrimônio e a intimidação de funcionários caracterizam ataque às instituições em um incidente, caracterizam em todos. Se não caracterizam neste, é preciso explicar por que caracterizaram naquele.
Isso não significa igualar fatos distintos por decreto. Significa exigir congruência. Instituições sérias não calibram o rigor pela camiseta do manifestante. Responsabilidade se apura por conduta: quem quebrou, quem pichou, quem agrediu. E quem comete esses atos responde por eles, qualquer que seja a bandeira.
O cenário tampouco ajuda. Segundo o relato, não havia gradis nem equipes de segurança para organizar o fluxo de manifestantes. O calor e a aglomeração provocaram desconforto, e a circulação pela avenida ficou prejudicada. Depois do ato, copos, garrafas plásticas, embalagens e caixas de papelão se acumularam junto ao meio-fio. A conta da limpeza, uma vez que sempre, ficou com quem trabalha num feriado: os funcionários da prefeitura.
E quem paga por trabalhadores de limpeza, portas, grades e horas de estação fechada? O tributário, é simples. O mesmo que, em outros episódios, ouve que o dano ao patrimônio generalidade é uma ofensa à país.
É aí que a história complica. A indignação seletiva é pior do que a pouquidade de indignação, porque transforma a lei em arma de conveniência. Se a pichação na Paulista não merece o mesmo vocabulário, que se diga com todas as letras por quê.
Do contrário, fica a incerteza que corrói qualquer pretensão de paridade perante a lei: o que define um atentado é o que foi feito ou quem o fez?
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https://www.contrafatos.com.br/se-o-8-de-janeiro-foi-atentado-o-que-foi-a-pichacao-na-paulista//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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