A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou no sábado (14) um vídeo em que a influenciadora Cris Mourão acusa jornalistas de desejarem a morte do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), internado no Hospital DF Star, em Brasília. Segundo a influenciadora, os profissionais estariam no sítio na expectativa de uma eventual confirmação de óbito e teriam feito comentários nesse sentido. As imagens, no entanto, não registram qualquer fala que sustente a criminação. Ainda assim, Cris afirma que as celebrações ocorreram e diz ter gravado o momento ulterior para expor o que, segundo sua versão, teria sucedido.
Na gravação, Cris Mourão aborda repórteres e filma o crachá de uma assessora. “Isso é uma falta de vergonha”, externou. Os profissionais não respondem à abordagem. Posteriormente a divulgação, jornalistas que aparecem no vídeo relataram ameaças e intimidações. Dois profissionais registraram boletins de ocorrência. Um deles alegou teve o rebento ameaçado e outro desativou suas redes sociais. Um terceiro jornalista tornou o perfil privado e avalia medidas judiciais.
Nos stories de seu perfil no Instagram, Michelle publicou o vídeo escoltado da frase: “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. Posteriormente a viralização do teor, jornalistas identificados nas imagens passaram a ser escopo de críticas. Duas repórteres relataram abordagens hostis em locais públicos, incluindo transporte coletivo. Políticos aliados ao ex-presidente compartilharam o vídeo nas redes sociais e rechaçaram a eventual postura dos profissionais da prelo.
No domingo (15), Cris Mourão comentou o caso em seu perfil solene. “Minha intenção nunca é prejudicar ninguém, mas sim proteger com unhas e dentes quem luta pela nossa país”, escreveu. A influenciadora também afirmou ter recebido informações de que um dos jornalistas presentes no sítio teria posicionamento favorável ao ex-presidente e estaria mencionando a facada sofrida por Bolsonaro em 2018.
Entidades representativas da prelo divulgaram notas sobre o caso. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que repudia “veementemente” as ameaças, a mordacidade e a exposição de jornalistas e seus familiares em seguida a divulgação “irresponsável de um vídeo deturpado”. A entidade declarou que o teor foi compartilhado sem “qualquer verificação” e acusou a disseminação de informações falsas sobre profissionais que estavam em atividade. A Abraji também classificou porquê “inadmissível” a atuação de parlamentares e figuras públicas na divulgação do material.
A Associação Brasileira de Prelo (ABI) declarou: “Culpa indignação a atitude da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou em suas redes sociais um vídeo com ataques a jornalistas”. A Federação Pátrio dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Região Federalista (SJPDF) divulgaram nota conjunta. As entidades afirmaram ser “inadmissível que jornalistas, no pleno treino de sua atividade profissional, sejam cercados e hostilizados na portaria de uma unidade de saúde”. As três manifestações também criticaram o compartilhamento do teor por parlamentares.
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