Se o próprio partido já culpa o Planalto, talvez o problema não seja “narrativa”, mas governo.
Há um pouco de revelador quando o partido do presidente começa a falar do governo uma vez que se estivesse comentando a gestão de um justador. Foi exatamente isso que emergiu da reação de setores do PT à queda na aprovação de Luiz Inácio Lula da Silva: a culpa, agora, seria da atuação recente do próprio Planalto, denunciado internamente de falta de protagonismo, lentidão e incapacidade de reagir ao desgaste político. Em linguagem menos diplomática, o diagnóstico foi cristalino: o governo parece ter “tirado férias” enquanto o país seguia andando — e cobrando.
O oferecido mais importante dessa crise não é exclusivamente a desaprovação em si. É o veste de que ela já não pode mais ser empurrada para a conta da oposição, da prensa, do algoritmo ou da eterna retórica do “nós contra eles”. Quando lideranças petistas classificam as pesquisas uma vez que alarmantes e demonstram preocupação com o incremento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o que se vê é um partido obrigado a encarar aquilo que passou tempo demais tentando negar: popularidade não se decreta, crédito não se fabrica e capital político não se preserva exclusivamente com memória eleitoral.
A reação do PT, porém, segue um roteiro já divulgado. Em vez de enfrentar com seriedade as razões do desgaste, segmento da militância foi orientada a intensificar ataques nas redes contra Flávio Bolsonaro, resgatando casos antigos uma vez que a “rachadinha” e suspeitas de relação com milícias e lavagem de moeda. Zero disso é irrelevante. Mas a pergunta meão continua de pé: combater o justador resolve a fadiga do próprio governo? Ou exclusivamente confirma que, diante da dificuldade de apresentar vigor político, a saída escolhida é reviver o confronto moral uma vez que substituto de gestão?
Esse é o ponto. O problema do governo Lula, segundo os próprios aliados, não parece ser falta de feitos para mostrar, mas incapacidade de expedir, ordenar prioridades e provar comando. Se há indicadores econômicos positivos, uma vez que apontam assessores do Planalto ao referir a queda do desemprego, por que isso não se converte em reconhecimento popular? Talvez porque a vida política não seja uma planilha. Talvez porque a percepção pública seja moldada menos por peças publicitárias e mais pela sensação de congruência, firmeza e responsabilidade. E é justamente aí que o governo parece falhar.
A situação se agrava quando o Executivo passa a remunerar a conta política de fatos que nem sequer dizem saudação diretamente à sua esfera formal de atuação. O monitoramento de redes, segundo o relato, mostra que a proximidade entre Lula e o Supremo Tribunal Federalista leva segmento da população a associar ao presidente escândalos e irregularidades que atingem a Galanteio, uma vez que no caso envolvendo Daniel Vorcaro, possuinte do Master. Esse é um efeito previsível. Quem aposta na simbiose política com o sistema de poder em Brasília não pode depois se espantar quando o sufragista enxerga tudo uma vez que segmento do mesmo reparo. A proximidade institucional, quando se transforma em intimidade política, ofídio preço.
E esse preço cresce quando o governo insiste em ignorar símbolos. A ida de Lula ao desfile das escolas de samba no Rio, mesmo posteriormente alertas de assessores, não foi lida exclusivamente uma vez que agenda cultural. Tornou-se gesto político. Ainda mais diante da homenagem da Acadêmicos de Niterói, que ironizou conservadores. Em um país dividido, com o eleitorado evangélico representando muro de 30% da população e já demonstrando distanciamento do presidente, o gesto soou menos uma vez que celebração popular e mais uma vez que provocação gratuita. Foi uma escolha. E escolhas políticas têm consequência.
É curioso notar que, por muito tempo, setores da esquerda trataram qualquer preocupação com esse tipo de sinalização uma vez que excesso moralista ou pânico conservador. Mas, quando a conta eleitoral chega, o incômodo aparece. Não porque tenham pretérito a compreender melhor o país real, mas porque começaram a perceber que desprezar parcelas inteiras da sociedade pode ser catastroficamente dispendioso. O Brasil profundo não desaparece porque a bolha governista o considera procrastinado. O sufragista evangélico, conservador ou simplesmente cansado de arrogância institucional continua votando. E vota com memória.
A fala de Lindbergh Farias ao declarar que a eleição de 2026 será uma das mais duras da história recente e que Flávio Bolsonaro já está em campanha enquanto Lula estaria “preocupado em governar” tenta oferecer uma moldura favorável ao presidente. Mas há uma incoerência aí. Se Lula está governando com tanta dedicação, por que seu próprio partido reclama de paralisia, falta de novidades e exiguidade de reação? Finalmente, qual das duas versões deve ser levada a sério: a do exposição público ou a da reunião fechada?
Essa dissonância revela mais do que nervosismo. Revela um problema estrutural do lulismo em seu terceiro procuração. O governo ainda parece operar sob a premissa de que o carisma histórico do presidente, somado a uma máquina de informação e a uma oposição demonizada, seria suficiente para manter o controle da narrativa. Não está sendo. O país mudou. O sufragista mudou. O intensidade de tolerância com incoerência também.
E há outra cobrança vindo da própria base: deputados petistas alinhados ao MST também já demonstram insatisfação com a transporte política do governo. Ou seja, o problema não está restrito à informação, uma vez que gostam de repetir os marqueteiros de plantão. Trata-se de desorganização política, perda de eixo e incapacidade de reger expectativas até dentro da coalizão simpática ao Planalto. Quando evangélicos se afastam, a opinião pública desconfia, a militância do dedo entra em modo hostil e até aliados ideológicos começam a reclamar, não se está diante de um simples sonido. Está-se diante de desgaste real.
No término, a reunião petista traz um préstimo involuntário: ela desmonta a fantasia de que a desaprovação de Lula seria exclusivamente fruto de incompreensão popular ou manipulação externa. Não. Há, dentro do próprio partido, a percepção de que o governo patina, morosidade, se dispersa e se deixa encurralar por uma veras que não obedece ao marketing. O PT pode até reagir com mais posts, mais ataques e mais slogans. Mas o sufragista costuma perceber quando um governo perde a iniciativa e passa a passar detrás dos fatos.
A questão, portanto, não é saber se o Planalto “precisa reagir”. Isso até seus aliados já admitem. A questão é outra: reagir para quê — para governar melhor ou exclusivamente para tentar sobreviver politicamente até 2026?
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