Investigadores afirmam que aguardaram dados essenciais para executar mandados autorizados pelo STF
Investigadores da Polícia Federalista (PF) rebateram as críticas feitas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federalista (STF), sobre uma suposta “inércia” da corporação na segunda temporada da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Segundo Toffoli, as diligências deflagradas nesta quarta-feira (14) já estavam autorizadas desde o dia 7, e a morosidade teria revelado “falta de esforço” por segmento da PF. A avaliação, porém, é contestada por integrantes da investigação.
PF diz que aguardava informações indispensáveis
De combinação com uma manancial próxima ao sindicância, ouvida sob suplente pela pilastra de Malu Gaspar, do jornal O Orbe, a versão apresentada pelo ministro não reflete a veras do trabalho policial.
“Pelo contrário, passamos meses aguardando essa operação”, afirmou um investigador, ressaltando que a corporação ainda não dispunha de todos os endereços necessários para o cumprimento simultâneo dos mandados.
Segundo a PF, o último endereço só foi confirmado na noite de terça-feira (13), o que levou a corporação a acionar o STF em caráter de urgência para pedir novas medidas cautelares.
Decisão judicial cita “falta de esforço”
Na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel — cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro — e concedeu mandados de procura e inquietação contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli registrou críticas diretas à atuação da PF.
O ministro afirmou ter autorizado a operação no dia 7 e determinado que as diligências fossem cumpridas em até 24 horas a partir do dia 12, citando a sisudez dos fatos e a existência de “fartos indícios de práticas criminosas”.
“Justificação espécie a leste relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, porquê também a falta de esforço no cumprimento da ordem judicial”, escreveu Toffoli. Para o ministro, a PF teria tido tempo suficiente para planejamento, e o detido poderia gerar prejuízo e ineficácia das providências.
PGR deu aval às medidas emergenciais
Os investigadores sustentam que a atuação ocorreu logo que os elementos necessários foram reunidos. A PF acionou o STF às 19h13 de terça-feira, solicitando a prisão preventiva de Zettel e buscas contra Tanure. A Procuradoria-Universal da República (PGR) se manifestou favoravelmente às 20h49, pouco mais de uma hora depois, e o pedido foi protegido por Toffoli, ainda que com ressalvas.
No caso de Fabiano Zettel, a PF alegou que seu embarque para Dubai, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, representava uma “oportunidade única” para obtenção de provas relevantes, inclusive sobre outros crimes. Ele foi recluso na manhã desta quarta-feira (14).
Abordagens em aeroportos e alvos no exterior
Em relação a Nelson Tanure, abordado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, durante o embarque para Curitiba (PR), a PF justificou a procura e inquietação no sítio para evitar que o empresário deixasse sua residência antes do horário permitido para cumprimento de mandados, fixado em 5h.
Outro níveo da operação é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, administradora de fundos suspeitos de integrar o esquema investigado. Conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim, do O Orbe, Mansur está no exterior.
Histórico de atritos no Caso Master
Levante não é o primeiro incidente de tensão entre a PF e o gabinete de Toffoli no contexto do Caso Master. Em dezembro, o prova de Daniel Vorcaro no STF foi marcado por desconforto entre a equipe de delegados da PF, liderada por Janaina Palazzo, e procuradores da República.
Na ocasião, Toffoli determinou que 82 perguntas fossem feitas ao banqueiro. A delegada afirmou que não poderia formular questionamentos que não tivessem sido previamente preparados por ela, concordando em submetê-los unicamente em seguida constar em ata que as perguntas haviam sido elaboradas pelo gabinete do relator.
As questões estavam organizadas em seis blocos e tratavam, entre outros temas, da venda do Banco Master ao BRB e de uma reunião de Vorcaro com integrantes do Banco Medial, realizada em 17 de novembro, o mesmo dia em que ele acabou recluso por decisão da Justiça Federalista de Brasília.
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