Um grupo de cientistas conseguiu localizar, pela primeira vez, uma espécie de “contador de quilometragem” dentro do cérebro, ao registrar a atividade cerebral de ratos em movimento.
Soltos em uma pequena redondel adaptada ao tamanho dos animais, os pesquisadores monitoraram uma região cerebral conhecida por sua valimento na navegação e na memória.
Eles observaram que células dessa espaço “disparam” em um padrão semelhante a um medidor de quilometragem de um carruagem (o chamado hodômetro), marcando tic-tac a cada poucos passos dados pelo bicho.
Um experimento complementar, no qual voluntários humanos caminharam por uma versão ampliada do teste usado com os ratos, sugeriu que o cérebro humano possui o mesmo mecanismo.
O estudo, publicado na revista Current Biology, é o primeiro a provar que o disparo regular das chamadas “grid cells” (células de grade) está diretamente ligado à capacidade de prezar corretamente a intervalo percorrida.
Névoa cerebral
Crédito,Stephen Duncan
“Imagine caminhar entre a cozinha e a sala de estar”, disse o pesquisador-chefe, James Ainge, da Universidade de St Andrews (Escócia). “[Essas células] estão na segmento do cérebro que fornece o planta interno — a capacidade de se situar mentalmente no envolvente.”
O estudo oferece pistas sobre o funcionamento desse planta interno e sobre o que ocorre quando ele lapso. Ao mudar o envolvente e interromper o som do marcador de quilometragem, ratos e humanos passam a errar a estimativa de intervalo.
Na vida real, isso acontece no escuro ou quando a neblina baixa durante uma estirão. Nesses casos, torna-se mais difícil determinar a intervalo percorrida, porque o contador de intervalo deixa de funcionar de forma confiável.
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores treinaram ratos para percorrer uma intervalo fixa em uma redondel retangular, recompensando-os com um pedaço de cereal de chocolate ao completarem corretamente o trajectória e retornarem ao ponto de partida.
Quando os animais percorriam a intervalo correta, as células responsáveis por “racontar a quilometragem” em seus cérebros disparavam regularmente — aproximadamente a cada 30 cm percorridos.
“Quanto mais regular era o padrão de disparo, melhor os animais estimavam a intervalo necessária para obter a recompensa”, explicou Ainge, da Universidade de St Andrews.
Os cientistas conseguiram registrar o contador de quilometragem do cérebro, acompanhando o deslocamento do rato.
Quando a forma da redondel foi alterada, o padrão de disparo tornou-se irregular e os ratos tiveram dificuldade em prezar a intervalo necessária antes de retornar à recompensa.
Crédito,Silvia Ventura
“É fascinante”, disse Ainge. “Eles parecem subestimar cronicamente. Quando o sinal não é regular, param cedo demais.”
Os pesquisadores compararam a situação à perda repentina de marcos visuais em meio à neblina.
“É evidente que velejar na neblina é mais difícil, mas o que talvez não se perceba é que isso também prejudica nossa capacidade de prezar distâncias.”
Para testar o fenômeno em humanos, os cientistas ampliaram o experimento realizado com ratos. Construíram uma redondel de 12m por 6m no meio estudantil da universidade e pediram aos voluntários que realizassem a mesma tarefa: percorrer uma intervalo determinada e retornar ao ponto inicial.
Assim porquê os ratos, os participantes humanos estimaram corretamente a intervalo quando estavam em uma caixa retangular simétrica. Mas, ao mudar a forma da redondel, começaram a cometer erros.
“Ratos e humanos aprendem muito muito a tarefa de prezar distâncias. Quando o envolvente é modificado de forma a distorcer o sinal nos ratos, observa-se exatamente o mesmo padrão de comportamento nos humanos”, explicou Ainge.
Crédito,Getty Images
Além de revelar aspectos fundamentais sobre porquê o cérebro permite a navegação, os cientistas afirmam que a invenção pode ajudar no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
“As células cerebrais específicas que estamos registrando estão em uma das primeiras áreas afetadas pelo Alzheimer”, explicou Ainge, da Universidade de St Andrews. “Já existem jogos [diagnósticos] que podem ser usados no celular, por exemplo, para testar a navegação. Teríamos muito interesse em desenvolver um pouco semelhante, mas focado especificamente na estimativa de distâncias.”
https://www.aliadosbrasiloficial.com.br/noticia/cientistas-identificam-contador-de-quilometragem-do-cerebro/Nascente/Créditos -> Aliados Brasil Solene









