O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Transacção e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira (18), que a operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizada mais cedo é uma questão do Poder Judiciário, não do Executivo, e não deverá atrapalhar nas negociações com os Estados Unidos em torno da imposição de tarifas a produtos brasileiros.
– Cabe ao Poder Judiciário, não é atribuição do Poder Executivo. Mas queria manifestar que nós tivemos uma semana de trabalho intenso, ouvindo todo o setor produtivo, a indústria, o agro, hoje ouvimos o setor da mineração, que tem também uma interface grande com os Estados Unidos – disse Alckmin a jornalistas nesta noite, ao deixar a sede do MDIC, onde realizou reuniões com alguns setores da indústria brasileira.
Em seguida, novamente questionado sobre Bolsonaro, Alckmin disse que a operação e a imposição de medidas cautelares “não pode e não deve” interferir na negociação tarifária. “Porque a separação dos Poderes é base do Estado de Recta, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Os Poderes são independentes, isso é de Montesquieu, isso não é de hoje”.
Não há relação entre uma questão jurídica ou política e tarifa. É até um precedente muito ruim essa relação entre política tarifária, que é regulatória, sobre questões de outro Poder – completou.
União pátrio em torno da soberania
Ao fazer um balanço da semana de conversas em torno do pregão de uma tarifa de 50% a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, reforçou o superávit dos EUA na relação com o Brasil.
– Têm superávit há 15 anos os EUA, mais de 400 bilhões de dólares. E nós precisamos também desfazer desinformação. E o que a gente colheu de todas essas audiências? Primeiro, uma união pátrio em torno da soberania do país, que é inegociável – salientou Alckmin, ecoando falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Depois, o vice-presidente citou a “premência de um esforço para o desenvolvimento, para a gente suspender esse aumento de alíquotas, que é muito ruim”. Ele destacou que a imposição de tarifas se traduz em um “perde-perde”, que também encarece o resultado nos Estados Unidos, levando ao aumento da inflação.
– A disposição do Brasil é a negociação – destacou Alckmin, dizendo que a segmento que cabe ao governo brasílico é dialogar e negociar.
Sobre acionamento da Organização Mundial do Transacção (OMC), Alckmin disse que só se pode consultar a entidade com um veste concreto, depois tem uma segunda lanço com o tela e, por termo, a questão recursal.
– Mas isso não é discutido neste momento, porque isso seria só depois do veste concreto – apontou.
Por termo, o vice-presidente disse que a epístola assinada por ele e pelo chanceler Mauro Vieira, enviada ao governo dos EUA na quarta-feira, 16, ainda não foi respondida. No documento, o governo manifestou “indignação” com o pregão de sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, mas informou estar disposto a negociar.
As autoridades brasileiras também cobraram resposta a uma outra mensagem enviada em maio que continha uma proposta sigilosa com sugestões de negociação.
*AE
Créditos (Imagem de envoltório): Foto : Cadu Gomes/VPR
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